domingo, 22 de agosto de 2010

Entrevista com Jean Galvão

O cartunista estava lançando na Livraria Cultura, pela Editora Barba Negra, o livro Vó.

Jean Galvão



Como foi que aconteceu o convite da Editora Barba Negra?

Eu conheci o Sandro Lobo, o editor, no Rio de Janeiro mas foi muito rapidamente. Depois eu soube que ele estava com uma editora e mandei um e-mail dizendo que eu tinha um material e gostaria de mostrar a ele. Aí ele gostou e me disse que lançaríamos em livro. Isso foi há menos de um mês, tanto que eu estou vendo o livro pronto só agora.

Fale um pouco sobre o livro que está lançando.

Então, o livro chama-se “Vó”. Há uns cinco anos eu fazia tirinhas diárias para o Jornal do Brasil, e eu tinha uma personagem que era uma velhinha, uma vó; e eu quis faze-la como as que eu conheci de verdade. Ela não é uma vó igual as de desenho animado, ela é simplesmente uma velhinha frágil, encanada, meio deprimida e enfim, esse universo delas. E acabou dando certo, foi o personagem que mais fez sucesso.


Você já havia lançado algum livro?

Já lancei há muito tempo um livro que era uma coletânea de charges, isso no final dos anos 90, mas depois não lancei mais, então eu fui acumulando material.


Você que acostumado a trabalhar em jornal, sentiu muita diferença na hora de fazer um livro? Houve alguma dificuldade?

Não, dificuldade não. O pessoal da editora cuidou do projeto gráfico, e eu fiquei muito grato com a surpresa, ficou muito bonito. E o legal é que eu estou acostumado com jornal, que a cada dia você faz uma tirinha, e acabam ficando meio esquecidas. O livro é legal que fica guardado e você pode ler de novo quando quiser, é muito legal.

O mercado de quadrinhos tem um bom publico no Brasil?

Eu acho que no momento está muito bom, comparado ao que já foi. Hoje temos muitos títulos, varias editoras, temos adaptação de literatura para quadrinhos, as vezes nos pedem tirinhas para serem usadas em livros didáticos. Então o mercado está legal.

Você acha que a Editora Barba Negra irá ajudar o mercado a crescer?

Eu acho que sim, por que a pegada dessa editora são os quadrinhos. Eles estão lançando agora o trabalho de quem já está há algum tempo no mercado, como eu e o Arnaldo Branco, e eles ainda pretendem dar espaço a quem está começando. E é legal ter este tipo de material publicado em livro, então eu acho que esta editora vai fazer um barulho legal nessa área dos quadrinhos.

Qual a sua opinião sobre a lei que proíbe que humoristas façam piada com os candidatos em época de campanha eleitoral?

É uma lei ridícula, eu publico charges sobre politica na Folha de São Paulo, e é estranho você não poder fazer este tipo de coisa em plena eleição. Mas o que podemos fazer é usar esta lei para fazer piada, pois é uma censura; se você ver em um país como os Estados Unidos, os políticos são massacrados pelos humoristas. Claro, você não vai ofender nenhum candidato, e sim tirar sarro do momento dele e do estereotipo de politico. Mas acho que isso é tão ridículo que vai cair logo.

Em relação ao seu trabalho, o que você acha que mais chamou a atenção do publico?

Quando o Jornal do Brasil abriu espaço para cartunistas, minhas tirinhas começaram a chamar a atenção, e a tirinha é um trabalho difícil, você precisa ter uma idéia todo dia, e é preciso criar um personagem que o publico goste.

Você pretende lançar mais livros?

Nos temos o projeto de lançar outro livro da Vó, um do “Chateen” que são tirinhas sobre adolescentes, e também um livro de charges sobre o governo Lula. Então tem bastante coisa aí pra fazer.

Um comentário: