sexta-feira, 20 de abril de 2012

Discos que eu ouvi #2

Os discos que eu ouvi essa semana, com discos pra quem gosta de psicodelismo e jovem guarda


Liverpool - Por favor sucesso (1969)

Por favor sucesso é o único disco da banda gaúcha Liverpool.  É difícil definir o gênero de som da banda, mas ela pode agradar os que gostam do tradicional rock inglês, MPB, o som do tropicalismo e, principalmente, psicodelismo.
Em geral o que mais chama a atenção no disco é a criatividade da banda e versatilidade ao misturar os estilos, fazendo com que por muitas vezes a música surpreenda fugindo do previsível. 
O vocalista, Fughetti Luz, apresenta uma voz agradável que consegue se adaptar à mistura de ritmos do Liverpool. Também fazendo com que as faixas não pareçam repetitivas estão Edinho Espíndola, na bateria, e Pekos, no baixo. O psicodelismo, na maioria das músicas, fica por conta da guitarra base de Marcos Lessa, e da guitarra solo de Mimi Lessa, que fazem as combinações entre si perfeitamente, tanto nos solos quanto nas bases, onde em diversas músicas a guitarra solo é bastante ativa.
Para os que gostam de MPB, as faixas mais indicadas são Você gosta e Planador. As faixas mais psicodélicas são Impressões digitais, Olhai os lírios do campo e Água Branca, que em alguns trechos tem uma sonoridade até que pesada, para a época, indo para um lado de bandas como era o Made In Brazil no final dos anos 60. Tão Longe de mim lembra o que era feito por bandas dos anos 60 como Os Brasas e The Brazilian Bitles.
Em relação às letras, apesar de ter um dos instrumentais mais sem graça do disco, a última faixa, Paz e amor, tem uma letra nacionalista que faz com que valha a pena ouví-la. Mas a música que mais merece destaque é 13º andar, que com toques cadenciados e uma levada lenta na bateria, unidas à uma letra simples, resulta em uma canção com um ar um tanto depressivo, mas muito interessante.


Silvinha Araújo - Silvinha (1971)


Silvinha é uma das cantoras mais importantes da Jovem Guarda, mas esse disco foge do que se espera quando se fala em Jovem Guarda. Gravado em 1971, o álbum sem título mostra músicas completamente influenciadas pelo som do início da década de 70, como o rock progressivo, com muito psicodelismo, e até com um pouco da sonoridade da Black Music.
Neste álbum Silvinha mostra uma voz bastante forte e aguda, que em alguns momentos chega a ter uma rouquidão no estilo de Janis Joplin, principalmente na versão com guitarras distorcidas de Paraíba, de Luiz Gonzaga (uma das melhores do disco). As letras, na maioria das vezes, são extremamente simples e diretas, como costumava ser com a maioria dos músicos da Jovem Guarda.
Os destaques ficam para Você já morreu e se esqueceu de deitar e Estou pedindo baby, que tem um ritmo dançante com forte influência da black music. Na versão de Risque, de Ary Barroso, com um instrumental psicodélico, Silvinha também mostra bastante potência em sua voz.


@RafaelRoochaa

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