sexta-feira, 4 de maio de 2012

Discos que eu ouvi #3

Discos para quem gosta de hip-hop, soul, country e Chico Anysio


Black Junior's - Break (1984)


Tive curiosidade de ouvir esse álbum porque soube que era o primeiro disco de RAP brasileiro. Depois descobri (por aqui)que, na verdade não se sabe exatamente onde foi o início desse estilo musical no Brasil. Mas sendo ou não o primeiro, Break é de grande importância para o RAP nacional. 
Neste disco é possível ouvir a sonoridade dos anos 80 e conhecer um pouco mais sobre o início do gênero no Brasil. Ao contrário do que é comum hoje em dia, as letras não falavam sobre crimes, racismo, violência, e tudo aquilo que ouvimos hoje. Na maioria das vezes eram letras românticas, cantadas em uma batida animada. 
Também ao contrário do que se pode ouvir hoje, estas letras românticas não eram como as de artistas como Emicida e Projota. Eram menos trabalhadas, mais simples, e pode-se dizer até que eram mais infantis. Mas provavelmente a ideia do disco era essa, afinal, os integrantes do grupo eram todos muito jovens. Não seria tão convincente ver um adolescente cantando letras complexas sobre amor.
O destaque fica para Mas que linda estás, o grande clássico do Black Junior's




Camille Yarbrough - The iron pot cocker (1975)


Esse álbum tem muito do que já se espera quando se vê um disco de uma cantora negra dos anos 70, e justamente por isso é muito bom. Com elementos do funk, soul e jazz, uma das coisas que mais chama a atenção é a forte presença do baixo. A voz de Camille varia entre um canto forte e algumas narrações. 
Em algumas faixas a sonoridade chega a ser um tanto psicodélica; como em All hid, onde ao misturar as narrações com a linha de baixo, que segue o estilo soul dos anos 60, a música fica com um clima tenso.
As faixas que merecem destaque são Ain't it lonely feeling, uma música romântica com um pouco da melancolia do blues; e Take yo' praise, a melhor e mais conhecida do disco. Nela o baixo também tem muito destaque, a voz de Camille é bem explorada, e em geral a música já mostra influência do jazz e funk.


Tor Tauil - Você faria o que eu fiz? (2007)


Assim como o primeiro disco solo de Tor, Maus hábitos e promessas quebradas, esse é um álbum puramente de country, com total influência de cantores americanos deste gênero, e da música sertaneja brasileira. As letras, bem diferentes do que ele faz no Zumbis do Espaço, falam geralmente de amor, bebidas e desilusões.
Algumas faixas, como Um caçador e Fugitivo mostram uma certa sensação de arrependimento do passado e dificuldade em encontrar seu próprio lugar. Lembrando que essas características também são vistas no disco anterior de Tor.
Merecem destaque as faixas Um drink com você, basicamente uma declaração com uma letra simples e melodia romântica; a triste Dias de gloria e Homem novo, que conta com guitarras que a deixam mais pesada que o restante do disco. A música conta com uma ótima letra e está entre as melhores do disco. Também vale citar a versão country de Carcaça de um outro alguém, a já conhecida música do Zumbis do Espaço.




Baiano e os novos Caetanos - Baiano e os novos Caetanos (1974)


Soube da existência desse disco quando assisti o Quatro Coisas (de fato, um dos melhores canais que eu já vi no youtube) sobre Chico Anysio. Por ser do Chico e Arnaud Rodrigues, a primeira coisa que eu pensei é que seria um álbum com letras engraçadas e cheio de humor. Algumas vezes é possível ouvir palmas e risos, mas isso acontece em poucos momentos. 
Em geral, o disco apresenta músicas de ótima qualidade, que misturam diferentes gêneros como o samba, sertanejo e ritmos nordestinos. Em alguns momentos é possível perceber até a presença do rock progressivo, principalmente em Dendalei. As letras, em sua maioria, usam o bom humor para esconder as críticas à ditadura e ao governo.
Os destaques ficam para Ciranda, onde a narração de Baiano (personagem interpretado por Chico Anysio na banda) é feita sobre um ritmo calmo e agradável; Folia de rei, que mostra influencia da música sertaneja e de bandas progressivas nacionais dos anos 70; e Selva de feras, onde a influência nordestina fica explicita, principalmente pelo uso da sanfona.

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