quinta-feira, 24 de maio de 2012

Discos que eu ouvi #4

Dois álbuns completamente diferentes. Um pra quem gosta de uma coisa mais grosseira e outro pra quem curte musiquinha pomposa.


Voodoo Jive: The best of Screamin' Jay Hawkins


Como diz o nome, o disco tem as melhores músicas do precursor do Shock Rock, que com suas performances teatrais e macabras no palco, influenciou artistas como Alice Cooper, Kiss, e todas essas bandas que fazem do show um espetáculo teatral com o intuito de chocar. No palco, Hawkins usava acessórios de voodoo, saia de dentro de um caixão e cantava como um maluco.
Esse disco começa com seu maior sucesso, I put a spell on you, de 1956, que já define o estilo todo do disco. Gritos da voz potente de Hawkins e um som baseado no blues que por vezes é macabro e outras vezes parece que foi feito por alguém com sérios problemas mentais. A segunda faixa, Little demon, também merece ser citada. A música, que de longe se percebe que foi feita por volta das décadas de 1950 e 1960, é bastante animada e tem um refrão que seria algo como "hmbapmabmmba hmbababapmba" e outros gemidos indecifráveis. 
Entre as variações de som durante o disco, há músicas românticas, como Person to person, onde chama a atenção a força da voz de Screamin Jay Hawkins; e You made me love you, que apesar de ser uma musiquinha muito bonita, o vocalista também dá seus gritos estranhos. Em se tratando do fato de que o músico tinha a intenção de chocar, a faixa I hear voices é, nesse disco, a que mais consegue atingir o objetivo.  Orange colored sky , que ficou conhecida pela versão de Nat King Cole, e recentemente foi gravada por Lady Gaga, também está no disco, mas claro, com o estilo esquisito do Screamin Jay Hawkins. Em geral, o disco é um ótimo resumo da obra desse artista.


Fiuk - Sou eu (2011)


Óbvio que esse não é o meu tipo favorito de música. Ouvi o disco só porque gostei da música de trabalho, Quero toda noite, que tem participação do Jorge Ben Jor e sonoramente parece mais uma música do Ben Jor com participação do Fiuk. Mas quando ouvi o álbum todo, acabou que não achei ruim não.
Em geral as letras são fracas e o Fiuk não é um grande vocalista. Quanto à sonoridade, é um disco "a procura da batida perfeita". Ele passa por diferentes estilos tentando acertar, algumas vezes acerta.
O disco começa com Cada um na sua,  que assim como Nada vai me parar, é uma música que se fosse cantada por um cabeludo ou algum roqueiro moderninho e tivesse guitarras um pouquinho mais distorcidas, seria considerada "rock" por todo mundo, mas como é cantada pelo Fiuk, provavelmente os modernões hipócritas vão falar que é "emo pop de viado". 
A faixa título é uma canção romântica completamente comercial, mas isso não quer dizer que é ruim. Ao contrário de Sempre mais, que segue a mesma linha, mas tenta ter uma sonoridade forte, coisa que a voz de Fiuk não consegue acompanhar. Mais calma ainda são as faixas Foi preciso você e Quando lembrar, que apesar de ter uma cara de trilha sonora da Malhação é agradável de se ouvir. Nela a voz do cantor se encaixa melhor.
O destaque fica para As vezes sou tão criança, que de início parece ser uma música do Lulu Santos. Do disco todo é a faixa com a melhor letra (o que não é tão difícil, já que as outras são muito fracas). E o disco se encerra com uma boa versão de Blowin in the wind, de Bob Dylan. Apesar de algumas coisas, é um bom disco, possível de se ouvir mais de uma vez.

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