sexta-feira, 27 de abril de 2012

Livro: A verdade por trás da fantasia do pornô - Shelley Lubben

"A verdade por trás da fantasia do pornô" é a autobiografia de Shelley Lubben, uma ex-atriz pornô que atualmente preside uma fundação chamada Pink Cross Foundation, onde se dedica a ajudar pessoas a saírem da indústria pornográfica.
O livro tem esse título justamente por causa da "ilusão" que, segundo a autora, é vendida às atrizes em começo de carreira, onde os profissionais da área dizem que elas terão uma vida de glamour e fama. O que, de acordo com Shelley, não acontece. E também por que, ao contrário do que pensam os fãs e consumidores deste tipo de material, a autora diz que nenhuma atriz gosta de estar fazendo uma cena. Por mais que as imagens não mostrem isso, segundo ela tudo é atuação. 
Claro que isso parece óbvio. Na verdade é fácil de se imaginar que não é tão confortável estar em frente a uma câmera fazendo sexo, com pessoas observando, um diretor dizendo o que você deve fazer, um cinegrafista tentando focar nos seus melhores ângulos (que neste caso provavelmente será em sua vagina), um operador de áudio segurando um microfone para captar o som dos seus gemidos, e tudo isso sem contar o fato de que talvez você nem conhecia o cara que está na cama com você.
Sim, claro que é óbvio. Mas o fato interessante é que Shelley conta detalhadamente como é a preparação para uma cena, o que acontece antes, durante, e depois das gravações. Ela fala sobre a época em que participava dos filmes pornográficos, usando  o pseudônimo de Roxy, afirmando que durante suas cenas, atuava sob a ilusão de que estava dominando o homem com quem contracenava, de modo que conseguia fingir para si mesma que estava sentindo prazer em participar daquela cena, fazendo com que tudo parecesse real.
Além disso, o livro tem um grande apelo emocional, fazendo com que o leitor sinta certa empatia com a autora. Isso provavelmente porque ela estudou comunicação, então sabe se expressar de maneira bastante convincente, e também porque hoje ela é uma pessoa religiosa, e pessoas religiosas sempre estão preparadas para convencer e conquistar usando a questão emocional em seus discursos.

Também é interessante o fato dela citar que é bastante comum o uso de drogas entre os profissionais da indústria pornográfica. Shelley explica que muitas atrizes que fazem filmes onde existe brutalidade nas cenas (nos casos onde apanham, são enforcadas, etc), costumam fazer uso de drogas para aliviar dores, mas em diversas vezes acabam se viciando. E além disso, algumas usam medicamentos para conseguirem lidar com os traumas de serem humilhadas nas cenas.
O livro fala ainda sobre outros temas, como mortes precoces, uso exagerado de álcool, suicídios, homicídios, DSTs, e diversos problemas que acontecem com grande parte de atores de filmes pornográficos, sempre baseada em dados e exemplos, o que dá bastante credibilidade às suas citações.
A história de vida da autora, que é o foco central do livro, é cheia de traumas e problemas, que segundo ela, foram de grande influência em sua entrada na indústria pornográfica. No decorrer da história ela cita passagens de quando teve que se prostituir, dançar em clubes de striptease, e diversos outros problemas que tornaram suas experiências com sexo traumáticas, até conseguir superar tudo e ingressar na vida religiosa.

Por fim, pode-se considerar que o livro é interessante para os leitores dos mais diferentes interesses. Nele se encontra conteúdo relacionado ao sexo, ideal para quem quer entender como funciona a indústria por trás disso tudo; religião, e superação, já que a autora mostra que passou toda sua vida tentando superar seus traumas. É possível dizer que o livro tem até uma pontinha de auto-ajuda, justamente pelo fato de mostrar como a insistência pode vencer um trauma.


@RafaelRoochaa

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Aprenda a sobreviver morando nas ruas

Um dos maiores medos da minha vida é que um dia aconteça alguma coisa com a minha casa (tipo pegar fogo, ser derrubada por um terremoto/furacão/sopro de lobo mau, etc) ou que eu simplesmente não tenha mais dinheiro pra pagar as contas, não possa mais morar nela, e assim, tenha que ir morar na rua e virar mendigo.
Acho que não é um dos, e sim O MAIOR MEDO DA MINHA VIDA. Na verdade era, porque eu fiz uma pesquisa e acabei me tranquilizando um pouco sobre isso. Sendo assim , meu maior medo volta a ser contrair a tão temida AIDS.
Sobre virar mendigo, não dá pra falar que é fácil, mas, tem gente que consegue sobreviver nessas condições por vários anos. É só você saber levar.
Outro dia estava no bar com um amigo, e um mendigo parou pra conversar com a gente. Com as coisas que ele me contava, aprendi que existem algumas técnicas de sobrevivência que fazem com que essas pessoas consigam viver na rua por mais de um mês (sério, antes eu achava que se fosse morar na rua eu sobreviveria no máximo uma semana e olhe lá).
Quando se é um mendigo, a primeira coisa que você deve se preocupar é: você não tem dinheiro nenhum.


Parece mas não é. É só o Renato Russo

Mas, como me confidenciou o mendigo do bar, pedir esmola é mais lucrativo do que se imagina. De acordo com ele, seu lucro diário é de 80 reais (verdade? não sei, ele que disse), sendo que seu trabalho consiste em ficar parado perto de um semáforo pedindo dinheiro quando os carros param. Ou seja, se isso for verdade, ele tá ganhando melhor que eu.
E a vantagem dos mendigos é que eles não precisam se preocupar com contas a pagar. O dinheiro pode ser usado só pra alimentação... mas cara, quem é que gasta 80 reais com comida por dia??? Ninguém né (com exceção de comedores compulsivos, acho), então o resto pode ser gasto com outras coisas, que eu citarei daqui a pouco.
Sobre a comida, ele disse que também costuma pedir. Porém, a maioria das pessoas dão fubá e açucar. E sinceramente, acho que um mendigo não consome tanto fubá e açucar assim, né? Por isso, ele pega a comida que recebe, vende no mercadinho da vila, e com o dinheiro ele compra outras coisas que quiser. 
o mendigo me mostrando o quanto ele ganha

Outro problema é o banho. Os moradores de rua são conhecidos por não terem boa higiene, o que não é mentira. Afinal, não tem chuveiros públicos espalhados por aí pra essas pessoas tomarem banho (aliás, poderia ter. Fica aí minha sugestão pro governo). Mas, segundo o que eu mesmo já vi na minha cidade, alguns mendigos utilizam fontes de praças para lavarem seus corpos. É certo? Creio que não... na verdade tenho certeza que não, mas os fins talvez justifiquem os meios. Reflitam.
E outra, você pode pegar um pouco, digamos 15 reais, daqueles 80 que você ganhou no semáforo, e pagar para alguma pessoa que possua uma casa deixar você tomar banho lá. Pode parecer estranho, vocês devem ter pensado "nossa quem deixaria um desconhecido tomar banho em casa ?". Gente, existem pessoas que na hora que veem o dinheiro, fazem qualquer coisa (isso eu também vou citar daqui a pouco, quando for falar sobre o outro modo que um mendigo pode gastar seu dinheiro).


o chuveiro dos caras

Um problema enorme, são as necessidades fisiológicas. Sabe quando você tá na rua, apertado, e não vê a hora de chegar em casa pra usar o banheiro? Então, agora imagina se você não tem uma casa, e quem dirá um banheiro. Difícil, né?
É, nem tanto. Esse mendigo que conversou comigo, costuma fazer suas necessidades no próprio bar onde estavamos conversando. Como ele é um consumidor que dá muitos lucros ao dono do bar, claro que o dono não proíbe ele de usar o banheiro do estabelecimento. Até porque não tem problema nenhum. Pensa, ele vai lá, faz o que tem que fazer, compra um monte de coisa e o dono do bar fica rico. Quem saiu ganhando ??? Todo mundo !!! Olha que legal = )
No entanto, durante a madrugada e a manhã o bar fica fechado. E aí ? Como proceder ?
Simples, no caso da urina, tem tanto mato por aí né. Claro que isso é atentado ao pudor, mas quem nunca deu uma mijadinha no mato que atire a primeira pedra. É só escolher um lugar bem escondido, longe das casas pra não ficar fedendo, e pronto. Agora no outro caso, é um pouco mais complicado. Ninguém vai defecar no mato, então o que esse cara costuma fazer é usar uma sacolinha plastica de mercado. Faz tudo lá dentro, amarra e deixa a sacola dentro de um grande saco de lixo. Quando for dia do lixeiro passar, deixa o saco lá pra ele pegar. Ele nem vai imaginar o que tem dentro daquele grande saco preto. E pronto, tudo foi feito da maneira mais higiênica e sem perder a compostura.

Aí vem aquela pergunta: e quanto ao sexo ???
Ah meus amigos, vocês acham que isso não acontece só porque o cara é mendigo? Estão enganadíssimos.
Lembra que eu falei que tinha outro jeito de gastar o dinheiro? E lembra que eu falei que tem gente que quando vê dinheiro faz qualquer coisa?
Então, reza a lenda que esse mendigo uma vez estava no local onde dorme, quando de repente, segundo fontes oculares, uma moça entrou em sua "residência" e começou a praticar o coito com o cara, em troca de alguns dinheiros... há quem diga inclusive, que ela praticou até (pasmem !!! [+18]) sexo oral nele !!!
Verdade? Mentira? Não sei, mas que teve gente que viu? Bom, é o que dizem por aí.
Sendo assim, podemos ver que um mendigo ganha dinheiro, come (se alimenta), toma banho, come (faz sexo), bebe com os amigos no bar, tudo sem o menor problema.

A parte ruim (que é o que sempre me levou a ter medo de morar na rua) é a hora de dormir. Não sei se eu tenho mania de perseguição, mas sempre achei que se um dia eu dormir na rua, um daqueles playboyzinhos arruaceiros iria por fogo em mim, ou jogar alguma coisa pesada na minha cabeça. Mas (graças a Deus) não é sempre que isso acontece. É só escolher um lugar seguro pra dormir e ninguém vai fazer nada.
Sendo assim, ao contrario do que eu pensava, esse mendigo que conversou comigo nem passa por tantas dificuldades assim, e por isso, não é uma pessoa tão triste como eu imaginava... quer dizer, não pra alguém que mora na rua. Poxa se eu morasse na rua eu seria a pessoa mais triste do mundo. Ele até que não é, afinal ele leva uma vida (quase) normal.


Então, se você ver um mendigo pedindo esmola no semáforo, lembre-se que se você não der, não tem como ele conseguir os 80 reais diários. E antes que você fale que ele vai comprar tudo em pinga, lembre-se que é impossível sobreviver tomando apenas pinga, não seja burro. E outra, se você morasse na rua aposto que também iria se encher de cachaça. Tá pensando que é fácil ficar morando na rua enquanto se está sóbrio?
E playboyzinhos babacas, por favor, não matem mendigos.


@RafaelRoochaa

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Discos que eu ouvi #2

Os discos que eu ouvi essa semana, com discos pra quem gosta de psicodelismo e jovem guarda


Liverpool - Por favor sucesso (1969)

Por favor sucesso é o único disco da banda gaúcha Liverpool.  É difícil definir o gênero de som da banda, mas ela pode agradar os que gostam do tradicional rock inglês, MPB, o som do tropicalismo e, principalmente, psicodelismo.
Em geral o que mais chama a atenção no disco é a criatividade da banda e versatilidade ao misturar os estilos, fazendo com que por muitas vezes a música surpreenda fugindo do previsível. 
O vocalista, Fughetti Luz, apresenta uma voz agradável que consegue se adaptar à mistura de ritmos do Liverpool. Também fazendo com que as faixas não pareçam repetitivas estão Edinho Espíndola, na bateria, e Pekos, no baixo. O psicodelismo, na maioria das músicas, fica por conta da guitarra base de Marcos Lessa, e da guitarra solo de Mimi Lessa, que fazem as combinações entre si perfeitamente, tanto nos solos quanto nas bases, onde em diversas músicas a guitarra solo é bastante ativa.
Para os que gostam de MPB, as faixas mais indicadas são Você gosta e Planador. As faixas mais psicodélicas são Impressões digitais, Olhai os lírios do campo e Água Branca, que em alguns trechos tem uma sonoridade até que pesada, para a época, indo para um lado de bandas como era o Made In Brazil no final dos anos 60. Tão Longe de mim lembra o que era feito por bandas dos anos 60 como Os Brasas e The Brazilian Bitles.
Em relação às letras, apesar de ter um dos instrumentais mais sem graça do disco, a última faixa, Paz e amor, tem uma letra nacionalista que faz com que valha a pena ouví-la. Mas a música que mais merece destaque é 13º andar, que com toques cadenciados e uma levada lenta na bateria, unidas à uma letra simples, resulta em uma canção com um ar um tanto depressivo, mas muito interessante.


Silvinha Araújo - Silvinha (1971)


Silvinha é uma das cantoras mais importantes da Jovem Guarda, mas esse disco foge do que se espera quando se fala em Jovem Guarda. Gravado em 1971, o álbum sem título mostra músicas completamente influenciadas pelo som do início da década de 70, como o rock progressivo, com muito psicodelismo, e até com um pouco da sonoridade da Black Music.
Neste álbum Silvinha mostra uma voz bastante forte e aguda, que em alguns momentos chega a ter uma rouquidão no estilo de Janis Joplin, principalmente na versão com guitarras distorcidas de Paraíba, de Luiz Gonzaga (uma das melhores do disco). As letras, na maioria das vezes, são extremamente simples e diretas, como costumava ser com a maioria dos músicos da Jovem Guarda.
Os destaques ficam para Você já morreu e se esqueceu de deitar e Estou pedindo baby, que tem um ritmo dançante com forte influência da black music. Na versão de Risque, de Ary Barroso, com um instrumental psicodélico, Silvinha também mostra bastante potência em sua voz.


@RafaelRoochaa

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Filme: A casa do espanto - 1986

Fiquei com vontade de assistir esse filme simplesmente por causa da capa. Quando vi achei que seria um filme bem tosco, esperava vários clichés e tudo aquilo que é normal nos filmes de terror. A casa do espanto foi lançado em 1986, com o título original de "House", e como diz o nome, claro que é sobre uma casa mal assombrada. 
Pelo menos para mim, a primeira vista ele pareceu ser um filme atraente. Mas, me decepcionei quando assisti.
A primeira cena até que é um pouco interessante por causar um certo mistério e ansiedade pelo resto da história (que ainda nem começou). A trilha sonora foi a primeira coisa que me chamou a atenção, um instrumental aparentemente simples, mas que combina muito bem com os filmes de terror. 
Aliás, acho que nessa época, as trilhas sonoras dos filmes eram bem melhores que as de hoje. É uma opinião pessoal, mas acho muito mais assustador do que um black metal essas músicas instrumentais como esta da primeira cena de A casa do espanto, ou a trilha sonora de A hora do pesadelo. No entanto, a única parte boa da trilha sonora é essa. Mais tarde há outras músicas, como You're not good, de Clint Ballard Jr, que são boas, mas não as mais apropriadas para o filme.


No início da história, um entregador de compras chega na casa e não encontra ninguém. Como é um filme de terror, claro que seguindo os tradicionais clichés, ele entra e sem motivo aparente resolve subir as escadas. Quando olha para um quarto encontra uma senhora morta, que se suicidou com uma corda no pescoço. Só aí já são dois elementos importantes: primeiro o fato dele ter subido as escadas, uma atitude inexplicável mas que deixa bem claro que aquilo se trata de um filme de terror, único lugar onde uma pessoa (que não seja um ladrão com a intenção de roubar a casa) faria isso. A segunda coisa é o uso de uma senhora, o que deixou a cena mais assustadora do que se fosse uma mulher mais nova (idosas sempre assustam).
Mas depois tudo vai ficando mais chato. Descobre-se em uma cena seguinte que essa senhora tinha um sobrinho, que é o personagem principal do filme. Roger Cobb, interpretado por Willian Katt, é um ex-soldado do exército americano que foi combatente no Vietnã, e escritor, que está trabalhando em um livro onde conta suas histórias na guerra. Ele passa por diversas crises, por estar divorciado, por não conseguir escrever seu livro, e principalmente pelo fato de seu filho estar desaparecido. Aí vem a parte mais interessante do filme, o personagem principal tem uma mente um tanto problemática.

A primeira demonstração de que a casa realmente tem algo errado é quando ele abre um armário e de lá de dentro sai um monstro que me lembrou o predador, mas Cobb consegue fazer o bicho voltar pra dentro. E então começam a aparecer diversos monstros. O problema é que a cena mais assustadora é a da velha morta no começo do filme, os monstros mesmo não assustam em nada.
Há quem diga que os monstrinhos foram feitos sem graça desse jeito propositalmente, pois a intenção era dar uma pitada de comédia nas cenas. Porém, além de não ser engraçado, isso tirou a possibilidade de fazer com que o filme dê medo.
Depois de assistir uma hora e meia de filme, a decepção volta no final da história, que é bem previsível. Quem está assistindo se cansa das cenas que não assustam e dos monstros sem graça, então, espera-se pelo menos um desfecho que surpreenda. Mas isso não acontece. O final é justamente aquele que o espectador está esperando.
Para os que se interessam em assistir filmes antigos, até que vale a pena. Você não vai se assustar, não vai sentir medo, não vai dar risada, mas o personagem principal até que é interessante para quem gosta de pessoas com mentes perturbadas.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

Discos que eu ouvi #1

Estou inventando essa série de posts pra me obrigar a fazer pelo menos um post por semana, no caso, toda sexta. Como diz o título, vou dizer quais foram os discos bons e ruins que ouvi durante a semana.




Foo Fighters - Wasting Light  (2011)


Como o Foo Fighters foi um dos assuntos da semana, depois de ser uma das atrações do Loolapalooza, baixei esse disco, que até então nunca tinha escutado. O começo do álbum foi bastante desanimador, achei seria um disco inteiramente ruim. A primeira faixa, Bridge Burning, começa bastante pesada, mas logo perde a força. E as músicas seguintes também são pouco empolgantes.
A quarta faixa, White Limo, que fez com que a banda concorresse ao Grammy de Melhor Performance Hard Rock/Metal, foge completamente do estilo que a banda mostra nas músicas anteriores. Pode agradar os fãs de New Metal e até de Metalcore. Também merece destaque These Days, que apesar de ter um instrumental um tanto meloso, tem um refrão contagiante.
Back and Forth, que também é o nome do documentário com filmagens das gravações do disco, é uma das músicas mais animadas de Wasting Light. E o grande destaque fica para Walk, que fez com que o Foo Fighters ao Grammy de Melhor Performance Rock e Melhor Música Rock. Esta faixa tem um instrumental simples, mas bastante interessante. Combinado com o vocal de Dave Grohl, que principalmente nas partes mais pesadas, mostra ser de ótima qualidade, a faixa encerra com chave de ouro um disco nem tão bom assim.




The Marmelade - Reflections of marmelade (1970)


O disco, da banda escocesa The Marmelade, foi lançado em 1970. Tem tudo para agradar os fãs de Beatles e Stones, e os que gostam do som dos anos 70, com toda aquela vibe Flower Power. Logo na primeira faixa, a animada Super Clean Jean, já é possível entender o estilo do álbum. Na música seguinte, Carolina on my mind, com vozes acompanhando o vocal principal de Dean Ford, a melodia fica bastante agradável. E o disco segue dessa maneira, com uma sonoridade calma.
A banda foge um pouco do estilo mostrado nas primeiras músicas na faixa Kaleidoscope, onde o som é segue uma linha mais psicodélica. O grande hit do disco, que na verdade é o maior hit de toda a carreira da banda, é Reflections of my life. A música tem uma letra melancólica, e seu instrumental a deixa bastante emocionante. Em geral, para quem gosta desse estilo de som, o disco é muito bom.




Minnie Riperton - Perfect Angel (1974)


É nesse disco que se encontra o maior sucesso de Minnie Riperton, Lovin' You, provavelmente conhecido por todo mundo. Como todos sabem, o que mais chama a atenção nessa música é o agudo no final do refrão, que Riperton consegue fazer sem desafinar. Em outras faixas do disco, como Reasons, também é possível ouvir os agudos que a cantora consegue alcançar sem muito esforço.
Perfect Angel contou com Stevie Wonder na produção, e participando em algumas faixas tocando bateria e teclado. O disco, além de Lovin' You, conta com outras canções românticas, como Take a little trip, onde é possível perceber as influências da ópera na formação musical da cantora, que iria focar sua carreira nesse gênero antes de se interessar pelo Soul e Rythim and Blues.
A faixa Seeing you this way, com uma levada simples na bateria, acompanhada de uma linha de baixo que se encaixa perfeitamente com o teclado, se torna uma das melhores do disco. Também vale a pena escutar Every time he comes around, principalmente pela boa presença da guitarra na música. 




Eric Burdon and War - Best of Eric Burdon and War(1996)


A banda consiste na união do vocalista da banda de blues The Animals, com a banda de funk War. Desta união foram lançados três discos: "Eric Burdon declares war" e "The black-man's Burdon", ambos de 1970; e "Love is all around", de 1976. O disco em questão é um Best of, onde estão as melhores faixas dos três álbuns. 
As melhores músicas são Spill the wine e o blues negativista Mother Earth, onde o destaque fica para a voz de Burdon. No mesmo estilo também há Home Dream. Em Paint it black o som do War fica mais evidente, sendo uma música diferente das outras do disco. Em Gun os estilos de Eric Burdon e da banda que o acompanha se misturam, formando um blues com elementos da Black Music.


@RafaelRoochaa

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Lentes Magnéticas - Arnaldo Baptista

Caso não saibam (não sabem ), o Arnaldo Baptista é meu maior ídolo. Entre tantas pessoas que eu admiro, entre tantos músicos que eu gosto, o considero o melhor. Isso devido a sua complexidade, que fica bastante notória em suas músicas. Principalmente em seus discos solo, além da qualidade musical, é possível perceber os sentimentos do artista, de acordo com a época de lançamento de cada um de seus álbuns. Como por exemplo no disco "Loki?", lançado em 1974, época em que Arnaldo passava por uma fase bastante depressiva, que passa uma sensação melancólica, o que faz muitos considerarem que Arnaldo Baptista é um dos artistas que mais conseguem colocar a "alma" em seu trabalho.


Mas o caso aqui nem é a música.


Quando assisti o documentário Loki, lançado pelo Canal Brasil em 2008, descobri que além de músico, atualmente Arnaldo também se dedica a pintura. Claro que, assim como sua música, muitos que olharem seus quadros não irão entender. Na verdade eu acho que a arte de Arnaldo Baptista precisa de uma certa continuidade. Acho que é preciso conhecer o começo para entender o final.


Enfim, para quem quiser conhecer suas pinturas, desde o dia 24 de março está acontecendo na Galeria Emma Thomas a exposição Lentes Magnéticas, a primeira exposição de Arnaldo depois de 30 anos dedicados à pintura. A exposição vai até o dia 20 de abril e pode ser visitada de terça a sexta, das 11h às 19h, e aos sábados das 11h às 17h. A Galeria fica na Rua Barra Funda, 216 - Barra Funda.
Além dos quadros, há um espaço onde é exibido um vídeo, produzido pela Bronca Filmes, onde Arnaldo fala sobre sua arte, explicando alguns quadros. Então a desculpa de não visitar a exposição porque não entende esse tipo de arte não é valida. O vídeo é muito bem explicativo.
Lentes Magnéticas vale a pena para quem quiser conhecer a arte de Arnaldo Baptista, e também para os fãs que desejam prestigiar seu trabalho. A entrada é grátis, pelo menos no primeiro dia tinha chopp de graça, e as pessoas que trabalham na Emma Thomas são muito simpáticas.


Aqui tem algumas fotos que eu tirei no primeiro dia da exposição http://www.flickr.com/photos/rafaelrocha1/sets/72157629300711388/

Enigma - MCMXC a.d

Vi esse álbum pela primeira vez enquanto mexia nos discos da minha avó, em meio a diversas coisas antigas que haviam na casa dela (revistas, livros, fitas VHS). Quando eu olhei para a capa, achei um tanto obscura, o que logo me chamou a atenção... Eu tinha na época uns 15 anos e era fã de Heavy Metal, especialmente do Black Sabbath. Nessa idade se você gosta dessas coisas, acaba sendo influenciado, e por isso sentia certa atração por tudo que me parecesse obscuro. 
Quando perguntei a ela que disco era esse, ela me disse que era do meu tio e que "parece" que algumas pessoas que tinham o escutado haviam enlouquecido e até cometido suicídio. Alguns dias depois a história me foi confirmada por um vizinho que me disse que o disco foi lançado em 1978 e realmente, pessoas se mataram ouvindo.
Depois descobri que tudo era uma grande lenda e que, como eu desconfiava, meu vizinho era apenas um mentiroso, até porque o disco só foi lançado em 1990. Mas de qualquer modo quando eu o ouvi, me interessei pelo som, que achei bastante original, e comecei a escutá-lo frequentemente. Depois baixei os outros discos do Enigma, e comecei a pesquisar mais sobre o grupo.
O projeto foi criado e produzido pelo músico e compositor Michael Cretu, pouco tempo depois dele se casar com a cantora Sandra Cretu, em 1988. O músico já havia participado de outros projetos musicais na década de 1970 e 80, mas só conseguiu dar início a algo que vingasse em 1990. Neste ano ele começou a trabalhar em um novo estilo de New Age dance, e lançou o primeiro álbum do Enigma: MCMXC a.D. 


O instrumental do disco era baseado em batidas dançantes bastante sensuais, enquanto os vocais na maioria das vezes variavam entre a voz de Sandra e cantos gregorianos. Como obviamente o disco causaria polêmica, Cretu preferiu esconder seu nome sob o pseudônimo de M.C Curly, e a contracapa do álbum não tinha muita informação sobre os integrantes do grupo, deixando um ar de mistério sobre quem fazia parte do projeto... O que tornou o disco ainda mais atraente para mim, que procurava alguma coisa "obscura".
O álbum, apesar de não ser conhecido por todos, fez um certo sucesso na época e acabou influenciando outros grupos que se inspiram no canto gregoriano, como por exemplo o Era e outros grupos de New Age.
Antes da primeira música há uma introdução. "The Voice Of Enigma", que pode ser ouvida em todos os álbuns, mas sempre de uma forma diferente. Em MCMXC a.D, o instrumental da introdução já passa uma sensação de calma, enquanto a narração pede para o ouvinte relaxar, apagar a luz e deixar se guiar pelo ritmo.
Logo em seguida começa o primeiro movimento, "The Principles of Lust", que é dividido em três faixas. A primeira, "Sadeness", é a música do disco que conseguiu mais sucesso comercial. Isso pelo fato de misturar o canto gregoriano com uma batida moderna, sendo algo que ainda não havia sido feito na música. A letra questiona os hábitos do Marquês de Sade, tentando entender seu gosto pela dor e prazer. Ainda no primeiro movimento vem a faixa "Find Love", que dá a entender que o ouvinte deve seguir seus instintos de luxuria até encontrar o que procura. Para fechar essa parte do disco, como uma reprise, o refrão de Sadeness continua até terminar o movimento.
A faixa seguinte é "Callas Went Away", a menos interessante do álbum. No entanto, logo depois dela vem uma das melhores músicas: "Mea Culpa", que também conseguiu algum sucesso comercial e foi remixada por vários DJs da Europa.
A seguinte, "The Voice and The Snake", pode soar um tanto estranha, mesmo comparado ao restante do álbum, que mostra algo bastante diferente, quando não se está acostumado com esse tipo de som. A letra é como uma narração do Apocalipse segundo a Bíblia Sagrada. Em seguida "Knocking on Forbidden Doors", é outra que até chamaria a atenção na época, por ser algo novo, bastante original. Mas comparada às outras faixas do disco não tem tanto destaque. 
Encerrando o disco vem mais um movimento formado por três faixas. A primeira é "Way To Eternity", que é como uma introdução ao movimento onde os cantos clamam a Deus pedindo para que os livre da morte. A segunda parte, "Hallelujah", tem um instrumental muito agradável e a narração cita algumas frases que foram ditas na introdução do disco. "The Rivers of Belief", que encerra o movimento, é a única faixa onde Michael Cretu canta, e é também uma das melhores faixas. Em um momento da música o instrumental para completamente e uma voz masculina cita um trecho do Livro do Apocalipse, depois voltam os instrumentos, que de fato, nessa música são bastante interessantes, e Cretu volta a cantar terminando com a frase "vamos descansar em paz nos meus rios de crença". A música termina e voltam alguns sons que aparecem na introdução do disco, e assim encerra-se MCMXC a.D.
Michael Cretu

Pelo fato do álbum unir referências religiosas à uma grande dose de erotismo, obviamente surgiram algumas polêmicas fazendo com que fosse banido em diversos países. O vídeo clipe de Principles of Lust foi proibido de ser exibido na MTV, e outras emissoras de televisão se recusaram a exibir os vídeos do Enigma. Mas ainda assim o álbum conseguiu superar as expectativas em questão de popularidade, rendendo até discos de ouro e de platina.
Porém o Enigma provavelmente não vai agradar ouvidos acostumados com músicas "tradicionais". É um projeto para ser ouvido por quem gosta de experimentalismo e procura algo diferente. Com as faixas do disco é possível relaxar e até meditar, do mesmo modo que é possível dançar com a batida das músicas.


@RafaelRoochaa