terça-feira, 28 de junho de 2011

O que é um vagabundo ?

Ao contrário do que muitos pensam, ser vagabundo não consiste apenas em "não trabalhar", quem somente não trabalha é desempregado, não vagabundo.
O vagabundo de verdade, é a pessoa que segue todo um conjunto de regras para que possa ser considerado um adepto desse modo de vida.
Antes de qualquer coisa, você precisa não trabalhar, isso é o essencial, depois começam a entrar as outras regras. Primeiramente, você nunca pode procurar um emprego. Sempre que alguém falar sobre isso, fuja. 
Quando alguém perguntar se você não trabalha, não procura emprego, simplesmente responda "ah, eu faço uns corre aí né". Ou, caso a resposta seja para alguém que você não simpatiza, diga "mano, é você que paga minhas contas ? Não, então pronto".
Sobre pagar as contas, alguém que não trabalha, não tem condições de fazer isto. Mas não pense que você irá ficar sem água ou luz por falta de pagamento, até porque para ser um vagabundo de verdade, você precisa morar com a sua mãe. Sendo assim, ela irá pagar as contas e você terá energia elétrica para jogar seu play 2 tranquilamente.
Alias, vídeo game é algo que não pode faltar na vida de um vagabundo. É coisa de criança ? Claro que não meu amigo, coisa de criança é estudar. As crianças tem é que estar em uma escola com caderno na mão, vídeo game é coisa de vagabundo.
Outra coisa que dizem (equivocadamente) que é algo "de criança", mas na verdade é um item indispensável para um vagabundo, é o pipa (que alguns chamam de "papagaio"). Este é um dos fatores mais importantes, talvez O MAIS importante. Vagabundo que é vagabundo solta pipa. Eu conhecia um que já era casado, tinha filho pra criar, e enquanto a mulher dele ficava trabalhando (ela era costureira) e cuidando da criança, lá estava ele na rua, empinando sua pipa feita artesanalmente de modo caseiro (como vagabundo não tem dinheiro, eles costumam fazer a própria pipa em casa).
No final de semana, quando seus amigos que trabalham estiverem livres, chame-os para jogar futebol. Não há nada tão vagabundo quanto um adulto, que tem família para sustentar, jogando futebol. Tudo bem, um trabalhador comum pode bater uma bolinha às vezes só para distrair e não existe problema nenhum nisso. Agora o vagabundo não, ele joga TODOS os finais de semana... isso quando não aproveita os dias de semana mesmo pra jogar com a "mulecada da rua", já que estes tem o dia inteiro livre.
Caso você tenha a sorte de encontrar uma mulher imbecil o suficiente para casar com alguém que não trabalha, você também deve ter uma maneira especial de tratar a sua amada. Primeiro, ela precisa trabalhar, porque alguém tem que sustentar a casa, e esse alguém não vai ser você. E além disso, ela precisa fazer a comida, cuidar de todos os afazeres de casa, cuidar do filho (caso tenham um), e principalmente, lavar sua camiseta de jogar bola. 
Caso more com a sua mãe, ou vó, ela deve ser tratada do mesmo jeito. A diferença é que na sua esposa você vai dar uns pega as vezes, quando não estiver ocupado zerando Call Of Duty.
E existem muitas outras inúmeras características que vão fazer de você um verdadeiro vagabundo, como ouvir música alta enquanto seu vizinho que trabalha a noite está dormindo (ele que trabalha a noite, problema dele), andar sem camisa pelas ruas sempre que possível, assistir televisão durante boa parte do dia, etc.
Enfim, são diversas coisas que você deve fazer para então, poder ser chamado de vagabundo.
Ah sim, e vale lembrar que isso é ridículo. Nada do que foi dito deve ser feito, a não ser que você queira ser uma pessoa imprestável. Então você que não quer ser um ridículo comece a procurar o que fazer desde já, vai procurar um emprego em vez de ficar na internet de bobeira.


PS: Antes que digam, eu sei que escrever em blog também é coisa de vagabundo. Obrigado pela atenção, abs


@RafaelRoochaa

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Clarice Lispector - Uma Galinha


Outro dia eu estava na faculdade, aí minha professora começou a perguntar aos alunos, que livro eles estavam lendo no momento. Aí todo mundo respondendo, normal. Na hora que chegou em mim, ela já veio perguntando meio que com um tom insinuando (precipitadamente) que eu não estava lendo nada, afinal eu sou apenas um... ah, sabe né.

Mas, para a surpresa dela, eu respondi "ahh, tá insinuando alguma coisa ? Agora eu vou esfregar na sua cara", e tirei da minha mochila um pequeno livro chamado "Laços de Família", da autora de frases bobinhas Clarice Lispector. Aí eu expliquei pra professora que apesar de ter todos os defeitos do mundo (ou pelo menos vários deles), eu leio sim.
Na verdade eu nem vou falar sobre a aula ou a professora ou o fato de eu ler. Eu só disse tudo isso pra chegar no livro da Clarice, que de fato, me chamou a atenção por ter um conto chamado "Uma Galinha".
Eu não costumo me emocionar com esse tipo de literatura, mas esse conto especificamente, me deu um misto de sentimentos que eu mal consigo explicar, uma explosão de sentimentos que eu não pude acreditar, é algo realmente absurdo.

galinha, um ótimo assunto para se escrever um conto

Claro que é contado com palavras bonitas e profundas, mas eu vou resumir o conto: começa falando que era uma galinha de domingo (?), que ainda estava viva porque não passava de nove horas da manhã. Aí tudo bem, você supõe que era apenas uma galinha, normal, como qualquer outra.
No decorrer da história, ela começa a fugir para que não a cozinhem. Aí foge, foge, até que o cara consegue capturá-la. Quando iam matar a galinha e meter a bicha na panela, a menininha que estava perto viu que ela havia botado um ovo. Por isso gritou a seguinte frase:
"Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!"
Calma aí, a galinha bota um ovo e isso significa que ela quer seu bem ??? Que que cê tá falando menina ?
Mas tudo bem, aí a mãe não mata a galinha, e ela passa a morar com família. Aí a Clarice enrola, enche linguiça descrevendo algumas coisas que a galinha fazia na casa, e de repente, o texto termina assim:
"Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos."


¿ ? ¿ ? ¿ ? ¿

Meu... é... então, a única coisa que eu pensei ao terminar de ler isso tudo foi  "poxa, eu poderia ter usado o tempo que eu perdi lendo esse conto fazendo uma coisa mais legal". Sei lá, poderia ter feito qualquer coisa, tipo ficar olhando as placas de carros pra ver quanto dá a soma dos números de cada uma delas, olhando cachorros cruzando na rua, assistindo teletubbies, enfim, qualquer coisa seria melhor do que ter lido uma historinha dessas.
Sério mesmo, achei uma tragedia ter lido isso. Tudo bem, quer escrever sobre galinha, problema seu. Mas, não vejo motivo para adorarem tanto uma pessoa que fez um conto desses. Como minha professora disse ao ver o meu livro. "Eu não gosto muito, mas claro que a respeito por causa da representatividade que ela teve para a literatura nacional". Porra mano, se a literatura nacional estivesse na mão de gente que escreve esse tipo de conto, eu só iria ler o que vem de fora. Ainda bem que, tirando ela e uns outros, tem muita gente boa por aí.

"hum, acho que se eu escrevesse um conto sobre uma galinha eu seria considerada uma das imortais da literatura nacional"

E outra, como que a Clarice chegou a conclusão de que deveria escrever um conto sobre uma galinha ? Será que ela viu algum caso parecido com o do conto na vida real e a historinha é baseada em fatos verídicos ? Se for, será que essa menininha era idiota ou o que pra achar que um ovo significa que a galinha quer seu bem ?
Sei lá, só consegui imaginar que ela conheceu uma história parecida, porque não acho que a mente humana seria capaz de criar uma história tão chata.
Mas enfim, na verdade eu só estou fazendo esse post pra da próxima vez que eu ficar falando mal da Clarice no Twitter, vocês entenderem que eu não estou errado. 
Abs

@RafaelRoochaa